• “Não errar” não basta, é preciso se posicionar: o risco das crises silenciosas de reputação

    Gestão de Reputação

    “Não errar” não basta, é preciso se posicionar: o risco das crises silenciosas de reputação

    Empresas que não se comunicam estrategicamente podem enfrentar crises invisíveis que minam sua autoridade e confiança perante o mercado e o público

    Shaiane Corrêa

    26/02/2026

    Estar entre as maiores empresas de um determinado setor não é garantia de reconhecimento. Quando uma organização tem grande presença de mercado, mas não é percebida pelo público ou pelos stakeholders como referência, há um sinal de alerta bastante claro. Essa desconexão entre o que a marca representa internamente e como é vista externamente caracteriza uma crise de reputação silenciosa, uma ameaça que cresce mesmo sem a ocorrência de erros explícitos.

    A falta de posicionamento público e a ausência em canais estratégicos de comunicação comprometem a autoridade institucional e tornam a empresa vulnerável quando os desafios inevitavelmente surgem. Isso porque a construção de uma reputação sólida leva tempo e requer consistência. Dados do Reputation Institute indicam que 84% do valor de mercado de uma empresa vem de fatores ligados à sua reputação. Outro levantamento, da Weber Shandwick, revela que mais de 60% do valor de uma organização está relacionado à percepção pública sobre sua confiabilidade.

    Para a jornalista, especialista em comunicação empresarial e diretora da Expressio Comunicação Humanizada, Francine Ferreira, a ausência de uma narrativa clara enfraquece a marca a longo prazo. “Crises silenciosas acontecem quando a organização não tem uma narrativa estável ou não dialoga com seus públicos de maneira estratégica. A ausência de uma voz ativa em temas relevantes pode ser interpretada como desinteresse ou desconexão com o mercado e com a sociedade”, alerta.

    Não basta ser bom, é preciso mostrar

    No cenário atual, fica claro que não basta ser uma boa empresa, é preciso ser reconhecida como tal. A ausência de erros não é suficiente para garantir uma reputação positiva se não houver uma presença comunicacional constante e bem estruturada.

    Conforme Francine, o investimento em uma comunicação estratégica baseada no fortalecimento de reputação e identidade de uma organização funciona como um seguro reputacional. “Quando a crise chega, quem já tem autoridade e credibilidade construídas tende a receber o benefício da dúvida de forma mais fácil perante o público. O impacto é menor e a recuperação, mais rápida”, afirma.

    Construir autoridade, visibilidade e confiança são ações diárias, que devem anteceder qualquer sinal de crise. A reputação, afinal, é um ativo estratégico que precisa ser construído antes que ela seja colocada à prova.

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